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quinta-feira, 31 de maio de 2018

Pessoana



Hoje estou fora de mim,
Um azedume! 
Não sei por que fiquei assim: 
"cinzas e lume... dor e pecado", 
Ouço dentro da minha cabeça todos os fados. 
Revisito Pessoa, mas só um pouco, 
Senão me torno completo louco! 
Que, para tanto, falta-me mesmo a completude...
A alma ressoa, já dando como certo o meu fim... 
A atitude é decerto tema dessa loa,
Estou à toa... Estou a esmo... 
Finjo, finjo, ah! A dor... 
Quero passar longe do Bojador.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Encanto

(inspirada na sonoridade do poema TANTA TINTA, de Cecília Meireles)

A menina tenta
espantar seu pranto.
Tenta tanto!
Num momento
inventa
um encanto...
Espanto!
O seu canto lento
como a voz do vento
num triste lamento
canta tanto!

(Em 1988. Quando eu tinha 25 anos a menos que hoje.)

Esta postagem se deve ao fato de eu ter publicado no FB esse poema, após revisitar em áudio os poemas de "Ou isto ou aquilo", de Cecília Meireles. Tudo culpa da colega de profissão e área, Else Emrich.
Abaixo, o poema:

 TANTA TINTA

Ah! menina tonta, 
toda suja de tinta
mal o sol desponta!

(Sentou-se na ponte, 

muito desatenta...
E agora se espanta: 
Quem é que a ponte pinta 
com tanta tinta?...)

A ponte aponta

e se desaponta. 
A tontinha tenta 
limpar a tinta,
ponto por ponto 
e pinta por pinta...

Ah! a menina tonta! 

Não viu a tinta da ponte! 

Cecília Meireles



sábado, 31 de março de 2012

Sótão


            
OS DEGRAUS
Não desças os degraus do sonho
Para não despertar os monstros.
Não suba aos sótãos - onde
Os deuses, por trás das suas máscaras,
Ocultam o próprio enigma.
Não desças, não subas, fica.
O mistério está é na tua vida!
E é um sonho louco este nosso mundo...
Mário Quintana

quisera descer os degraus
nem monstros falam comigo,
despertos, pelo menos ficam mais perto...

enquanto isso rememoro antigos saraus
ouço minha própria voz
em poemas poucos
(soluço atroz ?)
onde ao menos máscaras caem e ouço
cada caco de Deuses se desprendendo

ficar é tudo o que me limita
e aprendo:
desligo o que grita
o que agita
aquele que me fita
e me deixa aflita

o sótão é longe
mas subo
subo para adormecer
este mês de agosto

(embora seja janeiro)

klara rakal
23 01 2012

*imagem pesquisada no google*

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

1968



1968
(para Ferreira Gullar e seus branquíssimos e longos cabelos)

você estava sendo preso quando nasci

ou

nasci quando você estava sendo preso

não importa a ênfase
hoje estou presa
alucinadamente presa à sua poesia!

(seus poemas são meus pães dormidos, meus mingaus, minha água na caneca. Sorvo,
como, cheiro, me lambuzo,

me satisfaço, deito em cima, durmo, acordo
com mais fome e sede de sabê-los)


Karla Soares Antunes
22-11-2010

Este poema foi entregue em mãos ao poeta na ABL em 2010. Que emoção! Ofereço a ele em sua homenagem pelo dia do poeta - 20 de outubro.



- imagem do poeta pesquisada no google -
- foto do arquivo pessoal -