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terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Um dedo de incentivo

Já realizei algumas coisas na minha vida e sou grata a Deus por isso. No âmbito pessoal, profissional e literário. Sonhos viraram projetos e estes, realidades... 

Assim foi com meu primeiro livro, RASTRO DE SALAMANDRA. Tomei coragem, reuni poemas que escrevi durante 20 anos - dos 14 aos 34 anos de idade, selecionei, mexi em alguns e tracei uma linha temática a partir do meu poema preferido: Inscrição para uma lareira, de Mário Quintana. E publiquei uma pequena tiragem, 100 exemplares, que vendi quase toda no lançamento, tantos amigos que tenho! 

Foram tantas etapas, um longo percurso, venci muitas dificuldades, tive dúvidas... tanto na vida quanto na feitura desse livro. 

Mas a emoção de ser alvo de uma crítica literária, e de um modo tão completo, sensível, profundo... e favorável... ah! Nunca tinha experimentado e posso dizer que foi... incrível!

Em seu blog UM DEDO DE PROSA E VERSO, o ator, poeta, professor, mestre em literatura Edvard Vasconcellos fez uma análise da minha pequena obra, proporcionando-me essa emoção inédita.

Como agradecer? 

Leiam a postagem clicando aqui e, se puderem, deixem um comentário lá... e outro aqui!! 

KLARA RAKAL

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

LiteraLivre 19ª ed.

Mais um poema meu publicado na revista on line LiteraLivre: SAQUAREMA. A foto que acompanha o poema também é de minha autoria.

Para acessar, clique neste link:

Ou neste: 

Feliz porque considero que a poesia precisa voar por aí... 

Ficar registrada no livro é muito bom, um sentimento indescritível ter um poema publicado numa coletânea! Ou quando o livro é uma criação individual, dizemos que é um filho de papel, tamanho é o amor e orgulho que sentimos!

Mas há outras plataformas (preciso conhecê-las todas, vamos aos poucos) que propiciam voos maiores, mais altos, de onde se avistam um número maior ainda de leitores! Por isso publico neste blog (de todos os modos de publicar é o que mais gosto), na minha página de poesia no Facebook, no recanto das letras, ás vezes no instagram e nas revistas on line, como a ótima LiteraLivre!

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Novas Contistas da Literatura Brasileira


As autoras Sabine Mendes Moura, Andrea Borges da Silva,
Érica Oliveira, Marcela Bertoletti e eu! Klara Rakal


Enviei meu primeiro (e único até agora) conto para o Concurso promovido pela Editora Zouk e A Casa da Mãe Joana, ambos de Porto Alegre. Meu primeiro conto... foi escrito de um só fôlego numa madrugada dessas, um daqueles textos que o autor não consegue retocar mesmo que queira, por parecer ter vida própria e ter dado o seu grito de independência. Sim, eu havia gostado bastante de sua redação final, mas não imaginava que poderia ser selecionado! Mais surpresa ainda fiquei quando o editor revelou que era um dos trinta contos a compor o lindo livro num universo de quase... mil. Uau!

Passado esse susto inicial, senti-me orgulhosa e incentivada, afinal, também sei escrever em prosa!!! Todos sabem da minha predileção, desde a adolescência, pelo texto em versos. Rimas, trocadilhos, as metáforas, metonímias, anáforas, personificações e tudo o mais sempre me encantaram. O lirismo aflorado em versos crus, a crítica e a rebeldia sempre deram lugar aos temas mais... poéticos, segundo o senso comum.

Então, triste de não ir ao lançamento em Porto Alegre, logo veio a possibilidade de novo lançamento, desta vez mais perto de casa, através de uma das autoras, Andrea Borges. Quase não fui, estava marcado para 6 de maio, dia seguinte ao do XII Sarau do Bar - no Condomínio, do qual sou idealizadora, produtora e outros "oras" mais. Minha experiência de saraus anteriores me advertia ficar em casa quietinha, pois o dia seguinte ao Sarau é reservado ao descanso e refazimento das forças, tamanho trabalho e emoção são empregados no evento.

Pelo sim pelo não, deixei minha participação agendada e na hora H resolvi ir, ainda bem!!! Foi um dos momentos mais maravilhosos na minha vida literária!

Filho (que já estava de sobreaviso para me levar), irmã (que topou me acompanhar com meia hora de prazo para se arrumar) e uma caixinha de isopor previamente preparada pelo marido (lembram? Pelo sim, pelo não...) com refrigerantes para a contribuição no lanche pós lançamento (tem um nome mais chic, mas não me lembro qual) e lá fomos nós.

O lugar não poderia ter sido mais inspirador: Solar do Jambeiro, em Ingá, Niterói, um palacete do século XIX muito bem conservado, com amplos salões e seus belíssimos lustres-candelabros, jardins arborizados, um casarão-museu e local de várias atividades artísticas. Ficamos - eu e Graça - encantadas.

  


Encontrar as outras autoras do Rio de Janeiro (das seis, estávamos cinco) foi um prazer imenso. Conversamos e tiramos selfies como se tivéssemos feito isso juntas a vida inteira! Tão diferentes umas das outras e ao mesmo tempo tão iguais! Minha irmã só de longe, me observando e fotografando, sentia a sua presença mesmo quando não buscava o seu olhar rapidamente, coisa que fiz várias vezes. E ela sorria, estava ali comigo, me corujando, como sempre fez.


Mas o momento mágico mesmo aconteceu quando entrei no salão principal onde se desenrolaria o lançamento minutos após. Havia uma mesa comprida com os lugares das autoras e um semicírculo de cadeiras para o público que já estava tomando seus lugares. E ali, sobre a mesa, silencioso, mas gritando meu nome, ele: o livro amarelo. Novas Contistas da Literatura Brasileira.


Não havia recebido ainda os meus exemplares a título de premiação, então estava muito ansiosa! Tinha visto imagens do livro, claro, mas pegá-lo foi... como descrever? Sabe o leitor voraz quando adquire um livro que há muito desejava, e o abraça, cheira, folheia... Pois. Era esse sentimento dimensionado mil vezes, porque entre suas páginas estava o meu conto. O meu conto, o primeiro...

Foi tudo muito bacana. Incentivada pela reticência das outras autoras e guardando minha timidez embaixo da alva toalha da mesa, tomei a palavra e expliquei ao público o surgimento do livro sendo, também, porta-voz da nossa alegria em estarmos ali, lançando-o. Logo em seguida começaram os autógrafos e os livros se sucediam, os sorrisos passeavam por nós, elogios e felicitações ecoavam em vários timbres de voz, como música doce e suave. Ah, foi bom...





O livro encontra-se à venda no site da Editora Zouk, nas livrarias inclusive físicas, como por exemplo na Travessa. Assim que os receber, iniciarei as vendas ou, talvez, faça também um modesto lançamento do Sarau do Bar... Vale aguardar!

Novas Contistas... ao lado do livro de Conceição Evaristo,
registro feito na Travessa do Leblon

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Premiação no POESIA NA ESCOLA



ESTOU feliz como da primeira vez, em 1993, ano em que ingressei na Rede Municipal de Ensino e que estreei no POESIA NA ESCOLA.  

Não sei dizer quantos poemas tenho já publicados nessas coletâneas, que fazem parte de um excelente projeto da SME (Secretaria Municipal de Educação), mas quase sempre era premiada. Isso foi, aos poucos, me convencendo de que algum valor minha poesia tinha...  

Escrevo desde a adolescência. Há pouco tempo, no entanto, é que ouso me considerar uma POETA...  

E mais um motivo para me sentir envaidecida é estar lado a lado com outros poetas, colegas da rede, alguns muito próximos de mim e chegados ao meu coração. Parabéns para nós, Giano Azevedo, Vera Lucia Goes Bastos, Marcelo Freire, Diego Knack, Michel Serpa. VIVA A POESIA!!!  


MEU POEMA PREMIADO NA EDIÇÃO 2016 DO PROJETO POESIA NA ESCOLA:

POESIA DOS MUROS



Para o blog, como num diário, a gente confessa tudo... Como acontece com muitos poetas, para participar do concurso retirei uma das estrofes. E depois do concurso revisitei meu poema e fiz algumas modificações, a versão final (por enquanto rsrs) ficou assim:


POESIA DOS MUROS

A poesia dos muros é a melhor...

Versos jogados na cara, com uma crueza que não lhe costuma ser peculiar.
E com lirismo ainda por cima.

Por cima do muro,
a verdade olha.

Verdade que emudece
entontece dá náuseas.

Olha em torno, alguém reparou?
E sai ajeitando a saia...

(As palavras são putas,
eu já dissera num poemeto-cuspe...)

Estampados no concreto liso ou áspero

(muro da fábrica me deixa febril
muro da escola me deixa na dúvida
estudo ou ex-tudo?)

os versos não desconversam:
vão direto ao âmago
embrulham o estômago.

Doem.

Como pode picharem o muro?
Diz a decência dos hipócritas
escrita em suas testas.

Por cima do muro,
a verdade faz tsc tsc...

A poesia dos muros de fato é a melhor.

KLARA RAKAL
Escrito em 09.05.2016

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

POESIA DOS MUROS

Amigos! Com muita alegria partilho com vocês mais uma premiação no concurso POESIA NA ESCOLA 2016!!





POESIA DOS MUROS

A poesia dos muros é a melhor.

Versos jogados na cara, com uma crueza que não lhes costuma ser peculiar.
E com lirismo ainda por cima.

Por cima do muro,
a verdade olha.

Verdade que emudece
entontece
dá náuseas.

Olha em torno, alguém reparou?
E sai ajeitando a saia...

Estampados na pedra lisa ou áspera,

muro da fábrica me deixa febril
muro da escola me deixa na dúvida
estudo ou ex-tudo?           

os versos não desconversam:
vão direto no âmago
embrulham o estômago.

Doem.

Como pode picharem o muro?
Diz a decência dos hipócritas
escrita em suas testas.

Por cima do muro,
A verdade faz tsc tsc...

A poesia dos muros é, de fato, a melhor.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Minhas Memórias Literárias III

"Sim... sou professora, mas se me tornei uma, foi por puro medo e admiração de uma professora da época do ginásio: a dona Marilene. O quase parentesco da “tia” cedeu lugar para o respeito que nos imobilizava diante da agora “dona”. Enérgica, sua voz se tornava doce quando chegava o dia da entrega das redações corrigidas. Ela era só elogios para meus primeiros e vacilantes textos, e deixava recadinhos em cinco ou seis palavras que eram, para mim, versos da mais pura poesia, lidos, relidos e decorados, como se a me convencer de que um dia, realmente, eu poderia ser uma verdadeira escritora."

Com este trecho descrevi timidamente, no livro "Minhas Memórias Literárias", as circunstâncias que me incentivaram a ser uma professora e também uma escritora. E explicitei quem foi a minha inspiração: profª Marilene Tinoco, que me deu aulas de Língua Portuguesa nos anos de ginásio, na Escola Municipal Belmiro Medeiros.



Tornamo-nos amigas no Facebook e lhe fiz o convite para assistir ao I Sarau do Bar. O que ela não sabia é que havia lhe preparado uma pequena surpresa...

No dia marcado, quando cheguei ao bar, estacionei o carro e meu coração já estava aos pulos... Falei com meu filho que me acompanhava: "acho que vi minha professora!". Claro que toda a família já estava sabendo do encontro e Caio estava bastante curioso, diria incrédulo, acho que ele me considerava velha pra ter uma professora... Conforme me aproximava, ia procurando-a, até que a vi, já acomodada numa mesa. Meu ímpeto era correr, só não havia ainda decidido para qual direção: ao seu encontro, para abraçá-la finalmente, ou para o lado oposto, fugindo, pois toda aquela ansiedade era demais pra mim, rememorando meus tempos de timidez extrema.

Ela era exatamente como a imaginava! Claro que as fotos no Facebook ajudaram-me a resgatar sua imagem; mas o jeito de falar, de sorrir e gesticular era o mesmo que guardara na gavetinha mais especial do meu coração.


Eu tinha um receio, lá no meu íntimo: que aquilo tudo fosse uma atmosfera criada por mim e que não correspondesse à realidade. Tinha medo de que o encanto se desfizesse quando passasse a vivê-lo realmente. Mas o que aconteceu foi exatamente o contrário! Abracei-a o mais que pude (será que fui inconveniente? Ai, meu Deus, essa dúvida agora me ocorreu!), conversamos, fui presenteada! Houve uma sintonia mágica... Como eu estava feliz!


Iniciei o Sarau, vieram as apresentações, poetas declamaram, mostraram seus livros, até que chegou o momento da surpresa: apresentei o livro "Minhas Memórias Literárias" ao público, li o exato trecho acima em destaque, entreguei-lhe flores junto com um exemplar carinhosamente dedicado a ela! Foram momentos de muita emoção!







A partir desse momento compreendi que nada é definitivamente passado, tudo nos pertencerá sempre: o que fomos, o que fizemos, com quem estivemos... O que vivemos define o que somos, e poder reviver tudo (até as dores) nos torna melhores, mais fortes e mais felizes.

Foi um sonho realizado.


sábado, 21 de maio de 2016

Minhas Memórias Literárias I



MEMÓRIAS DA VIDA INTEIRA

       Aprendi a ler no trajeto que fazíamos com alguma frequência entre a Ilha do Governador, onde minha família mora até hoje, e Botafogo, bairro onde na época residia uma das minhas tias paternas. Eram os imensos outdoors no alto de prédios como o da Mesbla, visualizados do Aterro do Flamengo, ou os indefectíveis letreiros da Coca-cola.

       Depois, nos bancos da Classe de Alfabetização da Escola Municipal Belmiro Medeiros, esquematizei o aprendizado andarilho pelas afetuosas intervenções da tia Vera, única informação que tenho dessa profissional que cuidou de me ensinar o que eu, inconscientemente, já sabia...

       Veio a tia Ivonne, nos quatro anos de primário que se seguiram, com seu jeito firme e cuidadoso de nos conduzir no mundo escolarizado. Aprendi muito mais do que nomes, qualidades, ações ou circunstâncias, todas antecipando as classes de palavras que, hoje, tanto me acalentam o fazer profissional.

       Sim... sou professora, mas se me tornei uma, foi por puro medo e admiração de uma professora da época do ginásio: a dona Marilene. O quase parentesco da “tia” cedeu lugar para o respeito que nos imobilizava diante da agora “dona”. Enérgica, sua voz se tornava doce quando chegava o dia da entrega das redações corrigidas. Ela era só elogios para meus primeiros e vacilantes textos, e deixava recadinhos em cinco ou seis palavras que eram, para mim, versos da mais pura poesia, lidos, relidos e decorados, como se a me convencer de que um dia, realmente, eu poderia ser uma verdadeira escritora.

       Mas antes mesmo da paixão de escrever veio a mania de ler. Desde os meus cinco anos, espiando timidamente pela janela do carro que à média velocidade fazia o Ilha-Botafogo, eu lia o que me aparecesse pela frente. Ou entortava o pescoço até quase doer para observar os desenhos das letras das propagandas laterais, menores, nos postes e placas, mais ao alcance do asfalto quando o carro parava em algum sinal.

       A primeira literatura que me caiu nas mãos foi uma coleção preciosa – porque não era minha – de capa azul com vários clássicos Disney. Não, não falo de uma Pequena Sereia, nem de A Bela e a Fera, muito menos de Pocahontas; antes, refiro-me às histórias de Branca de Neve e os Sete Anões, Dumbo, Bambi, A Dama e o Vagabundo, Pinóchio, assim mesmo grafado. Ricamente ilustrados e surrupiados de mim pelos irmãos mais velhos.

       Um pulo no tempo faz-se necessário, pois, paradoxalmente ao esforço de escrever minhas Memórias, sou péssima de memória. Só me lembro de flashes, em que devorava os gibis do Pato Donald, da Luluzinha e, mais tarde, da Turma da Mônica (os quais, preciso confessar, até hoje...); os romances para adolescentes apaixonadas (qual adolescente não é permanentemente apaixonada por algo ou alguém?), que por pura falta de imaginação eram publicados em livretos de banca chamados de Bianca, Júlia e Sabrina... Década de 70? 80? Bem... já disse que memória não é o meu forte. Mas pela minha data de nascimento, sentencio: em idos de 1980.

       Em determinado momento, adolescente ainda, entrou na minha vida o Círculo do Livro, uma espécie de clube em que o associado tinha de adquirir pelo menos um livro por quinzena. Aqui entra o grande “mecenas” da minha “arte”: mamãe. Fazia pensão caseira e, às custas de um trabalho que lhe roubou a juventude, vendia marmitas entregues de bicicleta pelo meu irmão, que invariavelmente escutava, irritadíssimo, um “Marmiteiroooo”... Resultado do esforço dela foi a prateleira repleta de best sellers e de surpreendentes autores estrangeiros, e dois livros sempre insuficientes para um só mês. Foi uma época de muito ler e descascar batatas e outros legumes.

       A mania de ler me levou para a escolha da faculdade: Letras. Foi na UFRJ que descobri, encantada, as várias possibilidades de leitura... e por ela me apaixonei irremediavelmente, sobretudo pela poesia, mais sobretudo ainda pela poesia de Drummond e Bandeira. Reunião e Estrela da Vida Inteira são os meus livros de cabeceira, até hoje.



Texto escrito especialmente para o concurso de redação Minhas Memórias Literárias, para professores e bibliotecários da rede municipal, em 2015.

O lançamento do livro ocorreu em março de 2016, na Casa de Rui Barbosa, em Botafogo, Rio de Janeiro.




terça-feira, 17 de maio de 2016

Minhas Memórias Literárias II

Manhã de lançamento do livro no qual conto um pouquinho de mim e da minha trajetória de leitora/escritora.

Belas e indispensáveis palavras de Bia Hetzel e Ninfa Parreiras, que nos emocionaram com suas impressões durante a seleção dos textos.

A cumplicidade de sempre do meu marido Antonio Carlos que pacientemente me acompanhou.

A coordenadora da 11ª CRE, Tânia Bendas, nos prestigiando com sua presença.

Foi tudo perfeito.

Já mergulhei em tantas memórias, não consigo parar de ler e percebo que as minhas são de muitos também! Impressionante!

E o orgulho do colega Diego Knack que merecidamente foi um dos dez premiados!!

Bastante feliz!!






domingo, 30 de junho de 2013

Farol de Paquetá

Foto de Sandro Saldanha, "colhida" em www.digiforum.com.br

                                     I

                      Do farol de luz azul,
                      O mar agradece
                      As faíscas,
                      Lampejos que saltam
                      Intermitentes.

                      Esse farol foi testemunha,
                      Mais:
                      Cúmplice, comparsa
                      De um amor
                      Desvairado,
                      Urgente
                      E sufocado.

                      O barulho do mar
                      Que batia nas pedras
                      Calejadas de tantos anos
                      E o vento que acariciava
                      A alvura das paredes
                      Foram testemunhas também.

                      Mais que eles, porém,
                      O farol foi o palco
                      Da imensurável necessidade
                      Que os amantes tinham
                      Um do outro.

                       A lua foi conivente
                       E avisava quando vinha gente
                       Mas os amantes não percebiam
                       Absortos um no outro,
                       Só ouviam a envolvente música
                       Que os embalava
                       — a música que vinha do mar,
                       vinha das ondas, das pedras,
                       do branco da torre,
                       da brisa que brincava
                       nos cabelos da amada...


                                       II

                               Tudo era paz
                               E quietude.

                               Tudo era ritmo
                               E solicitude.

                               Todos os gestos
                               Coreografados
                               Amiúde...



                     III

       E os amantes...

       ... respiravam o mesmo ar,
           ... bebiam seus líquidos misturados,
               ... tocavam com as pontas dos dedos os rostos cálidos,
                   ... não se cansavam de tanto amar...


          Os olhares
          Disputavam profundezas com os mares.

          Os abraços plantavam tremores
          Nascidos do descontrole...

          Os corpos e suas entranhas
          Permitiam misturas tamanhas...



                               IV

         Os lábios repetiam palavras desconexas,
         Que, soltas, eram promessas
         de amor eterno:


         Você me ama
                          eu te mato
                                        não me deixe
                                                         te quero tanto...

         Eu te amo
                     não te maltrato
                                         estou aqui
                                                        sou seu amado...

Foto de S.Teylor, "colhida" em www.flickr.com


Poema publicado em 2010 na Coletânia de Poemas de Profissionais da Educação da SME do Rio de Janeiro. Escrito em 2006, inspirada em uma época de amor pleno. Dedicada a Antonio Carlos Henriques, meu marido.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Itacuruçá


     Olhos e ouvidos abertos
     sentindo a paz
     que vem do marulhar
     constante
     como se tudo fosse acaso
     e errante.

     Fundo, inspirando o ar

     perfumado de ondas
     leves...
     O mar que me traz
     e se quiser me leve...
     E breve.

     Ao longe, um barquinho

     se ocupando da rede,
     que puxa... puxa...

     É uma pintura.

     Olho e escrevo.
     Sorvo e rimo.
     Ouço e sorrio.

     A vida está suspensa 

     nesse momento
     e é tão boa essa pausa.

     Nada pensa. 

     Nenhum movimento.

     Só aquilo que há muito

     não se faz:

     Olhos e ouvidos abertos

     sentindo a paz.



     Itacuruçá
     Sábado, 19/01/2013, às 7:30h

Poema premiado e publicado na coletânea POESIA NA ESCOLA, de profissionais da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, concurso de 2015.


domingo, 8 de abril de 2012

Poeminha (irônico) de Páscoa



Poeminha (irônico) de Páscoa

Coelhinho da Páscoa
que trazes pra mim?
Viagem a Lisboa,
ramo de jasmim?

Da Páscoa, querido
coelhinho, que trazes?
Televisor colorido,
vídeo de rapazes?

Trazes o quê,
gentil coelhinho?
Vestido chiquê,
champanha ou vinho?

Coelho dos ovos,
pra mim, que surpresa?
Sapatos novos,
título de princesa?

Coelho sapeca,
que trouxe, me diga?!
Talvez, quem dera,
uma boa amiga?

Coelhinho da Páscoa, que trazes pra mim?
Um ovo, dois ovos, três ovos assim...

KLARA RAKAL
29.03.91

Ainda muito atual...

(Poema publicado na coletânea de poesias de profissionais da Secretaria Municipal de Educação do Rio, em 1993 - 1ª vez participando do concurso.)

- imagem colhida no google -

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Bruxas Modernas


 BRUXAS MODERNAS


Hoje em dia, ninguém mais acredita
em bruxa velha, feia e má.
Verruga no nariz? Já era!
Cabelo espetado, chapelão preto? Já era!
– Já era, já era, já era!!!
Agora, todas nós somos
bruxas modernas...

Pra começar, um trato no visual:
banho tomado, pele perfumada,
roupa fresquinha e bem cuidada,
penteado no cabelo, capricho especial
no rosado do rosto: batom, pó facial.
Afinal, uma boa bruxa
tem de estar de bom astral!

Na receita da poção moderna
não entra pó de múmia... Não entra!
                  perna de barata... Não entra!
                  asa de morcego... Não entra!
– Não entra, não entra, não entra!!!

A mágica começa
quando a imaginação trabalha:
Poção do amor – ponha cor de rosa
                             que tem muito valor.
Poção da paz – use a cristalina
                          água que o rio traz.
Poção da saúde – acrescente energia
                              e a todos ajude.
Poção da felicidade – derrame violetas
                                     por toda a cidade.

Toda gente, lá no fundo,
tem um bruxo bem bacana,
bem legal, profundo
e que ama todo o mundo...
Para o bruxo vir à tona,
é só soltar a imaginação,
sentir, se descobrir
e ouvir o coração:
                                  eu quero,
                                  eu posso,
                                  eu consigo!!!
- imagem pesquisada no google -

Esse poema foi criado em 1992, durante um curso de "controle da mente". Na época, eu estava muito desanimada por conta de mil currículos enviados e nenhuma vaga conseguida. Depois disso, coincidência ou não, passei no concurso e entrei para o Município, onde leciono desde então.
Postando esse poema porque ando me sentindo mais bruxa do que nunca... E como agora é época de Halloween, tudo a ver.

Poema premiado e publicado na coletânea POESIA NA ESCOLA - 2003, da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, categoria Profissionais da Educação.

domingo, 3 de julho de 2011

Longevidade


                               
LONGEVIDADE


E foi gerado João.
E todo o tempo que João viveu
foi de noventa e sete anos.
E, depois de esquecido num asilo,
de velhice
morreu.

E gerou-se José.
E todo o tempo que viveu José
foi de sessenta e cinco anos.
E, depois de aposentado,
expirou sentado,
e morreu.

E foi gerado Pedro.
E todo o tempo de vida de Pedro
foi de quarenta anos.
E, depois de receber o parco salário
que quase alimentava seus sete filhos,
num acidente de trabalho
morreu.

E gerou-se Paulo.
E toda a vida de Paulo
foi de vinte e cinco anos.
E, depois de assaltado,
levou três tiros à queima-roupa
e morreu.

E foi gerado Daniel.
E todo o tempo que viveu Daniel
foi de dezoito anos.
E, depois de ficar só,
cheirou pó,
e de overdose
morreu.

E gerou-se Samuel.
E todo o tempo de vida de Samuel
foi de dez anos.
E, depois de tanta fome, tanto frio,
virou trombadinha,
mas não sobreviveu
e morreu.

E foi gerado Lucas.
E tudo o que conseguiu viver
foram três anos.
E, depois de subnutrido,
pegou doença infantil,
e não resistiu,
e morreu.

E foi fecundado Mateus
(ou seria Marcos
ou seria Tiago
ou seria Jesus?),
numa noite de horror,
de nojo e de violência.
E por todo o resto da vida
de sua mãe
a marca da ausência
e a cicatriz da recusa
povoaram o seu remorso.
E Mateus
nem nasceu.

KLARA RAKAL

Poema com o qual, pela 1ª vez, participei da Coletânea de poemas de profissionais da Educação da Prefeitura do Rio, publicada em 1993. Nessa época eu trabalhava na E. M. Gandhi, lá em Santa Cruz. Início de carreira, bons tempos, bons amigos.

-imagem pesquisada no google-