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quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

ONZE VINTE


          Ensurdecedor e doce
          Mágicas palavras e balanço
          Vou numa comunhão compulsória
          Todos se divertem eu observo
          Presto atenção a letra é de amor
          Olho números na tela do celular
          Uma hora depois da meia noite continua onze vinte
          Um meio sorriso: aprovo
          E meu corpo dança imperceptivelmente
          Ou é minha mente que dança
          Adocicado perfume apesar de tantas garrafas d’água
          Morno cansaço e enlevo
          Levo e sou levada, é uma onda
          Todos diferentes somos um só
          Um só mar de gente pulsando
          Vocalista pula insano, penso
          Como consegue e como consigo
          É o destino? Ele ali no palco
          Performance, eu aqui do alto, em transe
          Ele sabe disso? Não me vê
          Eu estudo seus passos
          Ele canta meus passados
          Um reggae a dedo escolhido
          Agita meu coração como um rock contido:
          O baixista parece meu filho.

          KLARA RAKAL

Na Fundição Progresso, 19/01/2016, no intervalo entre shows das bandas 11:20 e O Rappa

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Bruxas Modernas


 BRUXAS MODERNAS


Hoje em dia, ninguém mais acredita
em bruxa velha, feia e má.
Verruga no nariz? Já era!
Cabelo espetado, chapelão preto? Já era!
– Já era, já era, já era!!!
Agora, todas nós somos
bruxas modernas...

Pra começar, um trato no visual:
banho tomado, pele perfumada,
roupa fresquinha e bem cuidada,
penteado no cabelo, capricho especial
no rosado do rosto: batom, pó facial.
Afinal, uma boa bruxa
tem de estar de bom astral!

Na receita da poção moderna
não entra pó de múmia... Não entra!
                  perna de barata... Não entra!
                  asa de morcego... Não entra!
– Não entra, não entra, não entra!!!

A mágica começa
quando a imaginação trabalha:
Poção do amor – ponha cor de rosa
                             que tem muito valor.
Poção da paz – use a cristalina
                          água que o rio traz.
Poção da saúde – acrescente energia
                              e a todos ajude.
Poção da felicidade – derrame violetas
                                     por toda a cidade.

Toda gente, lá no fundo,
tem um bruxo bem bacana,
bem legal, profundo
e que ama todo o mundo...
Para o bruxo vir à tona,
é só soltar a imaginação,
sentir, se descobrir
e ouvir o coração:
                                  eu quero,
                                  eu posso,
                                  eu consigo!!!
- imagem pesquisada no google -

Esse poema foi criado em 1992, durante um curso de "controle da mente". Na época, eu estava muito desanimada por conta de mil currículos enviados e nenhuma vaga conseguida. Depois disso, coincidência ou não, passei no concurso e entrei para o Município, onde leciono desde então.
Postando esse poema porque ando me sentindo mais bruxa do que nunca... E como agora é época de Halloween, tudo a ver.

Poema premiado e publicado na coletânea POESIA NA ESCOLA - 2003, da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, categoria Profissionais da Educação.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Autorretrato

                                     AUTORRETRATO

                         Não sou mais aquela imagem
                         no retrato revelada
                         de sorriso puro
                         a face lisa
                         a testa clara, desnuda
                         de rugas, a boca muda
                         o olhar fitando o nada...

                         Agora sou outra, invertida
                         sou a imagem finda
                         velha, empoeirada, distorcida
                         e já sem muita coragem
                         para a vida.

                         Klara Rakal

Poema criado em 1992, em um laboratório de produção de textos poéticos, ministrado pela poetisa, mestra e doutora Graça Cretton, na UFRJ, parafraseando Cecília Meireles. Abaixo, o poema de Cecília (desculpem a intimidade!), grande poetisa, fonte inesgotável de inspiração!



Retrato

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
— Em que espelho ficou perdida
a minha face?

Cecília Meireles

- imagem pesquisada na internet -