domingo, 10 de agosto de 2014

E essa lua toda

Foto by Flávia Chapetta, tirada em 10.08.14 - Superlua


                       E essa lua toda
                     Cheia, no alto
                     Do céu, como uma dama
                     Gorda, de salto 
                     E chapéu...

                     Essa lua me olhando
                     Tanto, e calada a me contar
                     O seu drama, enquanto
                     Eu, cansada, pensando
                     Se a quero desvendar...

                    A lua pede, solitária,
                    Um alguém que a console;
                    Mas eu, nessa trama vária,
                    Com sede e sem, o corpo 
                    Mole, me esquivo:

                    Ah, lua, eu também,
                    Como uma dama nua,
                    Te peço e suspiro:
                    Me envolve em teu véu,
                    Teu vestido de céu, e vem...
                    – És o espelho em que me miro!

Poema criado em uma noite de lua como essa, talvez não super, mas tão intensa como a de hoje Lembrei do poema, pois o sentimento que agora trago é o mesmo de outrora...

24 04 2002
Klara Rakal

sábado, 5 de julho de 2014

Grave isto

Foto colhida no Facebook, no grupo de Professores PCRJ/SME. 

Grave isto.

Quando eu voltar a ocupar as salas
A palavra proibida – greve!
Estará escrita na minha testa
E todos a lerão
Mesmo que a tinta seja invisível
(Forjada do meu suor, sangue e lágrimas).

Lerão os inocentes
Aqueles pelos quais luto
E que no futuro a batalha
– mesmo que outra –
enfrentarão.

Mas, também a lerão os indecentes
                                       os impotentes
                                       os incoerentes
                                       os ausentes
                                       os reticentes
                                       os indiferentes.

Porque eu fui à greve.
Porque eu fui a greve.

Porque eu sou a greve. Grave.

12 – 10 – 2013 
Klara Rakal

Mais do que nunca reflete o que sinto. Não a publiquei ano passado pois a julguei muito veemente. Deixou de sê-lo? Não. Mas agora me permito, sem muitas explicações.

domingo, 4 de maio de 2014

Pedra da Gávea

      Ar, respira fundo e emudece
      A pedra surge
      Engrandece
      Estática, imponente
      O tempo para
      Não mais urge,
      De repente.

      Descansa perante Deus

      Que te oferta tanto esplendor
      O cansaço some
      Tudo deixa de ter nome
      Ficam só os meus,
      A paz e o amor.

Eu e Caio, meu filho de 7 anos.


O título dado em um primeiro momento foi "Pedra Bonita", pois fizemos a trilha até lá. Momentos mágicos! Mas a pedra a que me refiro no poema é mesmo ela: a Pedra da Gávea. Escrevi o poema diante dela, feliz, ainda ofegante, e maravilhada.

Para Mariana Antunes Segges, minha sobrinha.
Obrigada por hoje!

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Praia Seca

I


Mais uma vez diante dela: a Lagoa
de Araruama é o seu nome.
E que nunca mais me abandone...
Estou ficando apaixonada
Acostumada com seus humores
- ondas, vento e casuarinas,
sua areia fina, o tempo
lento, por onde anda
aquele sofrimento?
Aqui nada importa mais.
Aqui encontro a paz.
22 01 2014


                                                   II



Ah, esse presente de Deus!
A Lagoa prateando minh'alma
com esse vento - sudoeste? - forte:
hoje é ela que decide meu destino.
Dá um recado tão claro,
impossível não entender...
(A natureza é a dona do mundo.)
As ondas impositivas não se cansam de dizer,
incessantes:  não pare, continue, seja forte,
resiliente e paciente, até a morte
ou até a mudança de sorte.

Hoje é a Lagoa que decide meu destino
Então, embaixo assino.
24 01 2014

- fotos do arquivo pessoal -