segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

LiteraLivre 19ª ed.

Mais um poema meu publicado na revista on line LiteraLivre: SAQUAREMA. A foto que acompanha o poema também é de minha autoria.

Para acessar, clique neste link:

Ou neste: 

Feliz porque considero que a poesia precisa voar por aí... 

Ficar registrada no livro é muito bom, um sentimento indescritível ter um poema publicado numa coletânea! Ou quando o livro é uma criação individual, dizemos que é um filho de papel, tamanho é o amor e orgulho que sentimos!

Mas há outras plataformas (preciso conhecê-las todas, vamos aos poucos) que propiciam voos maiores, mais altos, de onde se avistam um número maior ainda de leitores! Por isso publico neste blog (de todos os modos de publicar é o que mais gosto), na minha página de poesia no Facebook, no recanto das letras, ás vezes no instagram e nas revistas on line, como a ótima LiteraLivre!

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Os Bêbados

Os Bêbados ou Festejando o S. Martinho
José Malhoa, 1907

                    deus perdoe os Bêbados
                    que Eles não sabem o que fazem
                    depois que bebem

                    deus castigue os Sóbrios
                    que Eles sabem o que farão
                    depois que beberem

                    KLARA RAKAL
                    17.06.2018

sábado, 16 de junho de 2018

A bandeira do Assaí

Passo todos os dias por uma rua do Village e de lá vejo a bandeira do Brasil hasteada no estacionamento do hipermercado Assaí.

Por que diabos há uma bandeira hasteada no estacionamento de um hipermercado? É o que penso todos os dias.

Mas me conformo com o mistério sem solução e sigo dirigindo rumo ao trabalho.

*          *          * 

Um dia, isso me doeu. Tudo parecia tão perfeito... Tão rotineiro... A bandeira estava onde e como deveria estar. Eu estava passando por onde sempre passo, indo trabalhar no horário habitual. Dirigindo, apressada, pensando em tudo e vendo a bandeira do Assaí.

Mas havia algo diferente: era o dia seguinte da sua partida inaceitável.

Parei o carro e comecei a digitar no celular. Uma estranheza se apossou de mim. A bandeira estava lá, você não mais estava. Guardei os meus escritos e fui para meus alunos - nem eles nem ninguém desconfiaram do meu coração tão dolorido naquele dia...

Desde então, todos os dias que ali passo, vejo a bandeira de prontidão marcando as horas da normalidade, da vida que segue e a dor volta, como um sufocamento, um aperto no peito, uma incompreensão.

*          *          *

Ontem fez um mês da sua partida. 
Pensando na próxima edição do sarau, de repente o tema Somos Tão Jovens parou no meio da minha garganta: você era tão jovem!

Era jovem como meus filhos são... Era jovem como fui um dia... Você será jovem para sempre...

*          *          *

 A bandeira do Assaí

A bandeira tremula, indiferente.
O céu está de um azul perfeito.
O dia parece imaculado.

A bandeira tremula continuamente.
Há uma suave brisa.

 A bandeira tremula, não importa o que aconteça.

Enquanto houver brisa, a bandeira tremula, inquieta, imponente.

Símbolo da pátria amada.

Mas enquanto a bandeira tremula,
uma jovem está trêmula.

Enquanto a bandeira tremula,
abaixo dela, no estacionamento,
na porta do colégio, na praça, nas ruas
a vida acaba.

Símbolo da pátria armada.

Soraia Macedo
28.08.2000
15.05.2018

(Esse poema não foi escrito pela poeta Klara Rakal, e sim pela pessoa, mãe, professora Karla Antunes, em 16.05.2018).