segunda-feira, 23 de abril de 2012

ENGULA!



Estou sóbria.

Vejo a vida com outros olhos.

Não estou mais entorpecida
com a vaidade.

Deixei de beber a racionalidade
com que se vestem
os medrosos.

Sou outra.

Meu vício não é mais apenas
sobreviver.

Dou grandes goles
daquilo que agora posso chamar de VIVER!
  
Klara Rakal
17/04/2011

Em um domingo, por volta do meio-dia, andando, subindo a minha rua, indo ao mercado fazer compras, sozinha. Sol batendo no rosto. Observei as pessoas no entorno. Esse poema me veio à mente, todo (de novo!), de repente. Parei e anotei no único papel que tinha na minha bolsa: a lista de compras. Que coisa...

 - imagem sequestrada do google -


domingo, 8 de abril de 2012

Poeminha (irônico) de Páscoa



Poeminha (irônico) de Páscoa

Coelhinho da Páscoa
que trazes pra mim?
Viagem a Lisboa,
ramo de jasmim?

Da Páscoa, querido
coelhinho, que trazes?
Televisor colorido,
vídeo de rapazes?

Trazes o quê,
gentil coelhinho?
Vestido chiquê,
champanha ou vinho?

Coelho dos ovos,
pra mim, que surpresa?
Sapatos novos,
título de princesa?

Coelho sapeca,
que trouxe, me diga?!
Talvez, quem dera,
uma boa amiga?

Coelhinho da Páscoa, que trazes pra mim?
Um ovo, dois ovos, três ovos assim...

KLARA RAKAL
29.03.91

Ainda muito atual...

(Poema publicado na coletânea de poesias de profissionais da Secretaria Municipal de Educação do Rio, em 1993 - 1ª vez participando do concurso.)

- imagem colhida no google -

sábado, 31 de março de 2012

Sótão


            
OS DEGRAUS
Não desças os degraus do sonho
Para não despertar os monstros.
Não suba aos sótãos - onde
Os deuses, por trás das suas máscaras,
Ocultam o próprio enigma.
Não desças, não subas, fica.
O mistério está é na tua vida!
E é um sonho louco este nosso mundo...
Mário Quintana

quisera descer os degraus
nem monstros falam comigo,
despertos, pelo menos ficam mais perto...

enquanto isso rememoro antigos saraus
ouço minha própria voz
em poemas poucos
(soluço atroz ?)
onde ao menos máscaras caem e ouço
cada caco de Deuses se desprendendo

ficar é tudo o que me limita
e aprendo:
desligo o que grita
o que agita
aquele que me fita
e me deixa aflita

o sótão é longe
mas subo
subo para adormecer
este mês de agosto

(embora seja janeiro)

klara rakal
23 01 2012

*imagem pesquisada no google*

sábado, 24 de março de 2012

É, Vera...

É, Vera,
quem dera
que a vida fosse
eterna primavera...

Mas... Outoneceu!
e nem sempre nos damos conta
de como aconteceu...
nem quando,
nem por quê...

A vida é assim:
apronta,
nos desaponta...

Quisera sentir-me pronta
para a vida...

(Mas, considera:

pode-se, ainda,
fazer-se de tonta...

pode-se não pagar a conta,

pode-se aceitar a afronta...)

O que, às vezes, me desespera
é fazer da vida uma
                                  mera
                                          quimera,

                                                       se o que não foi feito
                                                       é o que se fizera...

                                                                                                                         10/05/2005