sábado, 1 de fevereiro de 2014

Praia Seca

I


Mais uma vez diante dela: a Lagoa
de Araruama é o seu nome.
E que nunca mais me abandone...
Estou ficando apaixonada
Acostumada com seus humores
- ondas, vento e casuarinas,
sua areia fina, o tempo
lento, por onde anda
aquele sofrimento?
Aqui nada importa mais.
Aqui encontro a paz.
22 01 2014


                                                   II



Ah, esse presente de Deus!
A Lagoa prateando minh'alma
com esse vento - sudoeste? - forte:
hoje é ela que decide meu destino.
Dá um recado tão claro,
impossível não entender...
(A natureza é a dona do mundo.)
As ondas impositivas não se cansam de dizer,
incessantes:  não pare, continue, seja forte,
resiliente e paciente, até a morte
ou até a mudança de sorte.

Hoje é a Lagoa que decide meu destino
Então, embaixo assino.
24 01 2014

- fotos do arquivo pessoal -

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Encanto

(inspirada na sonoridade do poema TANTA TINTA, de Cecília Meireles)

A menina tenta
espantar seu pranto.
Tenta tanto!
Num momento
inventa
um encanto...
Espanto!
O seu canto lento
como a voz do vento
num triste lamento
canta tanto!

(Em 1988. Quando eu tinha 25 anos a menos que hoje.)

Esta postagem se deve ao fato de eu ter publicado no FB esse poema, após revisitar em áudio os poemas de "Ou isto ou aquilo", de Cecília Meireles. Tudo culpa da colega de profissão e área, Else Emrich.
Abaixo, o poema:

 TANTA TINTA

Ah! menina tonta, 
toda suja de tinta
mal o sol desponta!

(Sentou-se na ponte, 

muito desatenta...
E agora se espanta: 
Quem é que a ponte pinta 
com tanta tinta?...)

A ponte aponta

e se desaponta. 
A tontinha tenta 
limpar a tinta,
ponto por ponto 
e pinta por pinta...

Ah! a menina tonta! 

Não viu a tinta da ponte! 

Cecília Meireles



segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Se te faltar uma parte tua...

Se te faltar uma parte tua
Eu busco pra ti um pedaço da lua
Lua crescente
Que é pra essa parte
Cicatrizar, como a arte
Cicatriza a alma da gente...

Eu busco pra ti um pedaço da lua...
E da poesia faço a mistura etérea
Areia que adere no brusco aço
Para que nunca mais se destrua!

Se a minha arte recente
Assim como a lua eletriza
Teu cálido rosto de irmã,
Te peço: perdoa-me!
Que nada mais sou que teu ímã!!













Só pra ter a certeza de que nada separa a gente. Nossos laços são de amor e sangue, não é por acaso...

E assim sendo, depois de um período de aridez poética, surge um poema tão significativo...

Muitos momentos inspiradores tive, por muitos temas passeei, muita dor e perplexidade experimentei nesses últimos seis meses que pudessem me despertar o fazer poético... mas não... Só agora, só por você, Graça.

domingo, 17 de novembro de 2013

Professores-poetas

          Todos sabem que este é o blog no qual publico meus poemas. Mas abro, raramente, algumas exceções, para textos de amigos. Pois bem: este ano participei do concurso Poesia na Escola e, tal como no ano passado, meu poema não foi selecionado. Porém, 3 dos meus amigos professores-poetas foram selecionados. E como eles me representam, nem fiquei (muito) triste! A alegria de ver meus amigos premiados me bastou! Assim sendo, e conforme vão permitindo, publico aqui seus poemas.

          Começando por:

           AOS MEUS ALUNOS, de Juçara Alves Guimarães de Souza

             Palmas pra nós, foi linda a nossa luta!
"Largo do Machado, assembleia lotada, arrepiante, café com pão de queijo e caminhada até o Palácio da Cidade.  Foi o meu primeiro dia na greve, e tive a maior força de vcs... Vontade louca de fazer xixi, metrô Botafogo. E tínhamos combinado de não sair em passeata, lembra? Ficaríamos de longe... "

          Depois Juçara segredou-me que o poema, na verdade, era um desabafo em face ao momento pelo qual passávamos. Confiram:

Aos meus alunos
                  (Agradecimentos a Vinicius)

De tudo aos meus alunos fui atenta

E com tal zelo e sempre e tanto
Que mesmo em face do maior desencanto
Deles nunca se afastou meu pensamento

Quero inspirá-los a todos os momentos

E em seu favor hei de espalhar a palavra
Dar-lhes amor e os bons exemplos
Oferecer-lhes apoio, poupar-lhes sofrimento

E assim, quando mais tarde chegue

A aposentadoria, direito de quem trabalha
Ou o cansaço, fim de quem ensina

Eu possa me dizer dos alunos que tive

Que não sejam perfeitos, posto que são humanos
Mas que sejam felizes enquanto vivam!

Juçara Alves Guimarães de Souza


           *                      *                       *  



   NOSSO LAR, de Vera Lúcia Bulhões Góes Bastos.


Nosso lar.

Mesa  farta, deixa-me grata.

Sensação de acalanto, abrigo, calor morno,
Alma leve transpondo o infinito,
Com a presença divina
de uma existência assistida.

Arrumo a mesa numa alegria contida,

verifico detalhes imperceptíveis:
toques de carinho, cheiros de amor,
a quentura do afago e a leveza do som
Inundam o ambiente  acolhedor.

Olho cautelosamente:  talheres de prata,

louças de porcelana, toalha rendada,
Pães crocantes, queijos, bolos,
Geleias das mais variadas.
O cheiro inebriante do café nos convida...

Mesa farta me lembra laços,

solidariedade na hora do aperto,
aconchego, amizade,
Vem, puxe a cadeira,
Sente-se à mesa.

Aqui você é meu convidado,

E  muito me traz alegria.
Sua presença uma oportunidade.
Aceita  um pouco de amor
Regado a algumas delícias?

Meu coração agradece.

Melhor que receber é ofertar.
Hoje na minha casa,
Você é meu irmão
E  minha mesa, o altar.


          A mesa posta com o carinho de quem, na verdade, oferece o coração posto: Vera Lúcia Bulhões Góes Bastos.

           *                           *                           *



          AMADURECER, de Euclydes Fernandes dos Santos Neto


          Esse meu amigo Euclydes... Preciso cuidar dele um pouco. Ele nem sabia mais qual era o poema selecionado no concurso. É um menino despreocupado... Já ralhei, ensinei, fiz um blog para ele, alertei... Ele pensa que seus poemas, depois de escritos, não são mais seus, e sim do mundo... É um poeta mesmo, um querido poeta!


Amadurecer

Os doces toques do amor

Possuem cordas além do desejo
E quadros além das paredes.
São feitos de malhas, 
Mas não de redes.
São águas de brancas talhas
Para saciar 
Todo tipo de sede...

Mas o dedo

Precisa ser londo o suficiente
Para a alma poder tocar,
E ter o objetivo consistente
De conhecer a sensatez
Sem perder o dom de sonhar...

Não é preciso viver no muito

E nem no pouco...
Basta-se viver na plenitude,
Com a mente longe da inquietude
E o coração navegador.
Basta ser interprete da vida
E de si um bom conhecedor.

Euclydes Fernandes dos Santos Neto


     *                      *                          *