domingo, 4 de maio de 2014

Pedra da Gávea

      Ar, respira fundo e emudece
      A pedra surge
      Engrandece
      Estática, imponente
      O tempo para
      Não mais urge,
      De repente.

      Descansa perante Deus

      Que te oferta tanto esplendor
      O cansaço some
      Tudo deixa de ter nome
      Ficam só os meus,
      A paz e o amor.

Eu e Caio, meu filho de 7 anos.


O título dado em um primeiro momento foi "Pedra Bonita", pois fizemos a trilha até lá. Momentos mágicos! Mas a pedra a que me refiro no poema é mesmo ela: a Pedra da Gávea. Escrevi o poema diante dela, feliz, ainda ofegante, e maravilhada.

Para Mariana Antunes Segges, minha sobrinha.
Obrigada por hoje!

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Praia Seca

I


Mais uma vez diante dela: a Lagoa
de Araruama é o seu nome.
E que nunca mais me abandone...
Estou ficando apaixonada
Acostumada com seus humores
- ondas, vento e casuarinas,
sua areia fina, o tempo
lento, por onde anda
aquele sofrimento?
Aqui nada importa mais.
Aqui encontro a paz.
22 01 2014


                                                   II



Ah, esse presente de Deus!
A Lagoa prateando minh'alma
com esse vento - sudoeste? - forte:
hoje é ela que decide meu destino.
Dá um recado tão claro,
impossível não entender...
(A natureza é a dona do mundo.)
As ondas impositivas não se cansam de dizer,
incessantes:  não pare, continue, seja forte,
resiliente e paciente, até a morte
ou até a mudança de sorte.

Hoje é a Lagoa que decide meu destino
Então, embaixo assino.
24 01 2014

- fotos do arquivo pessoal -

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Encanto

(inspirada na sonoridade do poema TANTA TINTA, de Cecília Meireles)

A menina tenta
espantar seu pranto.
Tenta tanto!
Num momento
inventa
um encanto...
Espanto!
O seu canto lento
como a voz do vento
num triste lamento
canta tanto!

(Em 1988. Quando eu tinha 25 anos a menos que hoje.)

Esta postagem se deve ao fato de eu ter publicado no FB esse poema, após revisitar em áudio os poemas de "Ou isto ou aquilo", de Cecília Meireles. Tudo culpa da colega de profissão e área, Else Emrich.
Abaixo, o poema:

 TANTA TINTA

Ah! menina tonta, 
toda suja de tinta
mal o sol desponta!

(Sentou-se na ponte, 

muito desatenta...
E agora se espanta: 
Quem é que a ponte pinta 
com tanta tinta?...)

A ponte aponta

e se desaponta. 
A tontinha tenta 
limpar a tinta,
ponto por ponto 
e pinta por pinta...

Ah! a menina tonta! 

Não viu a tinta da ponte! 

Cecília Meireles



segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Se te faltar uma parte tua...

Se te faltar uma parte tua
Eu busco pra ti um pedaço da lua
Lua crescente
Que é pra essa parte
Cicatrizar, como a arte
Cicatriza a alma da gente...

Eu busco pra ti um pedaço da lua...
E da poesia faço a mistura etérea
Areia que adere no brusco aço
Para que nunca mais se destrua!

Se a minha arte recente
Assim como a lua eletriza
Teu cálido rosto de irmã,
Te peço: perdoa-me!
Que nada mais sou que teu ímã!!













Só pra ter a certeza de que nada separa a gente. Nossos laços são de amor e sangue, não é por acaso...

E assim sendo, depois de um período de aridez poética, surge um poema tão significativo...

Muitos momentos inspiradores tive, por muitos temas passeei, muita dor e perplexidade experimentei nesses últimos seis meses que pudessem me despertar o fazer poético... mas não... Só agora, só por você, Graça.