domingo, 5 de junho de 2011

Exílio Hoje

Vida de Passarinho - Caulos.

EXÍLIO HOJE               

               Minha terra tinha palmeira,
               pau-brasil, ipê, laranjeira
               onde, um dia, cantaram sabiás
               e outras aves igualmente raras.

               Minha terra tinha céu
               com lindas e numerosas estrelas,
               tinha várzeas com flores exóticas,

               tinha bosques e até amores!
               (O que é mesmo flor?
               O que é amor?)

               Minha terra tinha sossego,
               coruja piando, vento brando
               enquanto eu cismava, sozinho,
               à noite, nos prazeres dela;
               hoje já não se pode mais,
               tem sequestradores demais!

               Minha terra tinha primores
               – flores e amores –
               que tais não encontro eu hoje...
               Ah, Deus, não permita
               que eu viva por muito mais tempo
               neste presente, sem desfrutar
               dos prazeres de antigamente!

- imagem pesquisada na internet-

Poema publicado na Coletânea de Poemas dos Profissionais da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, edição de 1997.
Paródia do poema Canção do Exílio, de Gonçalves Dias, que reproduzo abaixo:

CANÇÃO DO EXÍLIO
 (Gonçalves Dias)
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em  cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar –sozinho, à noite–
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá. 


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